Pequenos Autores de Tiradentes transforma o olhar das crianças sobre a cidade em escrita, arte e pertencimento
Concurso realizado pela ASSET em parceria com a Secretaria Municipal de Educação reúne alunos do 5º ano da rede municipal e mobiliza professores, empresários e parceiros em uma construção que conecta educação, patrimônio, inovação e cidadania
Como as crianças que crescem em Tiradentes enxergam a própria cidade? O que reconhecem como motivo de orgulho? O que acreditam que precisa ser cuidado? E qual Tiradentes desejam encontrar quando forem adultas?
Essas perguntas deram origem ao Pequenos Autores de Tiradentes, concurso de redação e desenho realizado pela ASSET – Associação Empresarial de Tiradentes e Região, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.
A iniciativa integra o Gerações de Tiradentes, programa que passa a reunir, dentro do pilar Pessoas da ASSET, projetos e experiências voltados à aproximação entre diferentes gerações, comunidade, empresariado e cidade. Dentro desse movimento mais amplo, o Pequenos Autores tem uma missão específica: dar voz ao olhar das crianças sobre o lugar onde vivem.
Com o tema “Tiradentes: minha cidade, meu cuidado, meu orgulho”, o concurso é destinado aos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental e envolve 96 estudantes, distribuídos em sete turmas de cinco escolas municipais: Marília de Dirceu, Alice Lima, João Pio, Ademar Natalino Longatti e Carlos Rodrigues.
Primeiro, escrever a cidade
A primeira etapa do Pequenos Autores já foi realizada nas escolas.
Os estudantes produziram individualmente suas redações a partir do tema proposto, enquanto todo o desenvolvimento pedagógico, a correção e a classificação dos trabalhos ficaram sob responsabilidade dos professores e da Secretaria Municipal de Educação.
Em cada uma das sete turmas serão reconhecidos primeiro, segundo e terceiro lugares.
Os sete primeiros colocados, um de cada turma, receberão uma bicicleta. Os segundos e terceiros lugares também serão reconhecidos e premiados.
O projeto prevê ainda uma conquista coletiva: a turma que obteve a melhor média nas redações receberá uma tarde de sorvete, valorizando não apenas desempenhos individuais, mas também o envolvimento do grupo.
Ao todo, somente na modalidade redação serão 21 classificações, além da premiação coletiva.
Depois das palavras, o desenho
Concluída a redação, o Pequenos Autores entra agora em sua segunda linguagem: a arte.
Os alunos serão convidados a interpretar novamente “Tiradentes: minha cidade, meu cuidado, meu orgulho”, desta vez por meio de cores, formas e imagens.
A proposta não é determinar qual Tiradentes deve aparecer no papel. Cada criança poderá representar aquilo que faz parte do seu próprio repertório: uma paisagem, uma tradição, o patrimônio, a natureza, as pessoas, os bairros e comunidades, aquilo que acredita que precisa ser preservado ou mesmo a cidade que imagina para o futuro.
Cada uma das sete turmas terá um desenho vencedor. Entre esses sete trabalhos será escolhido o grande vencedor municipal do Concurso de Desenho, que receberá a oitava bicicleta do projeto.
Os sete desenhos selecionados também ganharão uma nova dimensão fora da escola, com exposição dos trabalhos premiados no IPHAN.
Dessa maneira, o concurso não procura apenas reconhecer uma habilidade escolar. Ele cria espaço para que o olhar das crianças sobre Tiradentes seja registrado, valorizado e compartilhado.
Tecnologia mineira chega às escolas
O Pequenos Autores também ganhou uma conexão com ciência e inovação por meio da parceria com a Diamond Nero, empresa sediada no ecossistema de inovação de Itajubá e voltada ao desenvolvimento de soluções em nanotecnologia.
A aproximação foi viabilizada por Bruno Araújo, ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, que fez a ponte entre a ASSET e Marcos Alvim, da Diamond Nero.
A empresa abraçou a proposta e disponibilizou 100 lápis de escrever com tecnologia de grafeno, permitindo que cada criança participante receba gratuitamente seu próprio lápis.
O material tem durabilidade muito superior à de um lápis convencional e apresenta às crianças, de maneira concreta e acessível, uma tecnologia desenvolvida em Minas Gerais.
Cada lápis de escrever é entregue definitivamente ao aluno como presente. Mais do que um material escolar, ele passa a representar uma lembrança da participação no projeto e do encontro entre educação, inovação e cidade.
A parceria também disponibilizou kits de lápis de colorir com a mesma tecnologia. Como a quantidade de kits não permite uma distribuição individual igualitária para todos os participantes, esses materiais serão incorporados à estrutura de reconhecimento e premiação do projeto.
Oito bicicletas e uma mobilização empresarial
A escolha da bicicleta como principal premiação também foi intencional.
Ao todo, serão oito bicicletas: sete para os primeiros lugares das turmas na redação e uma para o grande vencedor municipal do desenho.
O prêmio busca representar mais do que uma conquista material. A bicicleta está associada a movimento, autonomia, esporte e descoberta de novos caminhos, aproximando as crianças também de possibilidades como o ciclismo e o mountain bike, fortemente relacionados à região.
A 035 Produções, associada da ASSET e responsável pela realização do Desafio Real, tornou-se parceira do projeto com a doação da bicicleta destinada ao vencedor municipal do concurso de desenho.
Para viabilizar as demais premiações, a ASSET criou um fundo construído com a participação voluntária de empresários, por meio de cotas de apoio.
Empresas associadas já começaram a aderir à mobilização, permitindo que a premiação seja resultado não apenas de um investimento da Associação, mas de uma rede empresarial que decidiu participar diretamente da experiência dessas crianças.
A construção do fundo permanece em andamento e contempla não somente as bicicletas, mas também os reconhecimentos destinados aos segundos e terceiros lugares e demais necessidades relacionadas à premiação.
O professor no centro da construção
Embora o projeto seja articulado pela ASSET, o Pequenos Autores parte de um princípio fundamental: quem transforma a proposta em aprendizagem dentro da sala de aula é o professor.
A Secretaria Municipal de Educação faz a ponte com a rede de ensino e os educadores conduzem pedagogicamente as atividades, orientam os estudantes e são responsáveis pela avaliação dos trabalhos.
A ASSET, por sua vez, atua na articulação institucional, mobilização empresarial, construção das parcerias, estruturação das premiações e ampliação das experiências proporcionadas pelo projeto.
Essa divisão preserva a autonomia pedagógica das escolas e estabelece uma relação de complementaridade entre Educação, iniciativa privada e comunidade.
Como parte desse reconhecimento, a Associação também está estruturando uma ação específica de valorização dos professores envolvidos no Pequenos Autores.
Uma rede construída em torno das crianças
O projeto reúne parceiros com contribuições diferentes, mas complementares.
A Secretaria Municipal de Educação e os professores sustentam sua dimensão pedagógica. A Diamond Nero aproxima ciência e nanotecnologia do cotidiano escolar. A 035 Produções participa da estrutura de premiação. Empresários associados contribuem para o fundo que permitirá transformar os resultados do concurso em reconhecimento concreto para as crianças.
Essa composição traduz uma das premissas que levaram a ASSET a desenvolver seu pilar Pessoas: uma cidade turística não é construída apenas por empresas, poder público ou visitantes. Ela é construída, antes de tudo, pelas pessoas que vivem nela.
E aproximar essas partes significa permitir que cada uma contribua a partir daquilo que sabe e pode oferecer.
30 de agosto: uma celebração da cidade através das crianças
A culminância do Pequenos Autores acontecerá em 30 de agosto, reunindo crianças, famílias, professores, Secretaria de Educação, empresários e parceiros para a grande premiação.
Será o momento de reconhecer os primeiros, segundos e terceiros lugares das sete turmas na redação, os sete trabalhos selecionados no desenho, o grande vencedor municipal e a turma que alcançou a melhor média.
Os alunos premiados também receberão certificados de reconhecimento, criando um registro da conquista de cada um.
Mas a proposta do encontro ultrapassa a entrega dos prêmios.
Ao colocar empresários, professores, famílias e crianças no mesmo espaço, o Pequenos Autores materializa a construção que deu origem ao projeto: aproximar quem educa, quem empreende, quem vive e quem está crescendo em Tiradentes.
Porque preservar uma cidade histórica não começa apenas quando alguém aprende quais monumentos precisam ser protegidos. Começa quando existe vínculo.
Quando uma criança percebe que aquela praça também é sua. Que aquele patrimônio faz parte da sua história. Que aquilo que acontece na cidade também diz respeito a ela. E, principalmente, que sua própria visão sobre Tiradentes merece ser ouvida.
É por isso que o Pequenos Autores parte de uma frase simples:
“Tiradentes: minha cidade, meu cuidado, meu orgulho.”
Mais do que o tema de um concurso, ela sintetiza aquilo que o projeto pretende deixar depois que as redações forem entregues, os desenhos expostos e as bicicletas premiadas: uma geração que reconheça Tiradentes não apenas como o lugar onde nasceu ou estuda, mas como uma cidade da qual faz parte e cuja construção também passa por suas mãos.