John Parsons e a cidade de Tiradentes

Uma casa para se observar com calma e olhos atentos, a fim de desvendar tantas obras de arte, livros e fotografias. É assim onde Anna Maria e John viveram juntos em Tiradentes até seu falecimento, em junho do ano passado. Ela continua a tornar o imóvel um lar para familiares e amigos, aos quais acolhe com gentileza. Foi assim que ela recebeu a Asset, em um final de tarde, para falar sobre a relação de seu marido John Francis Parsons com a cidade.

Foi por causa de um favor ao sogro que John e a esposa chegaram a Tiradentes, em 1972.“Decidimos visitar São João Del Rei e meu pai pediu que entregássemos alguns livros ao seu amigo general Luís Faria”, recorda Anna Maria Noemia Lopes Parsons. Na ocasião, o casal morava em Londres, mas passava temporada no Brasil, mais precisamente em São Paulo. “Uma mulher que trabalhava na casa do general nos recomendou ir a Tiradentes e, apesar da falta de sinalização e de uma estrada precária, não nos intimidamos”.

Ao chegar, se encantaram com o pequeno lugar. A população não ultrapassava os mil habitantes. A praça onde atualmente está o Largo das Forras era de chão batido e as árvores imponentes adornavam um monumento em homenagem ao inconfidente Tiradentes. Bem ali próximo avistaram uma construção iniciada e com tapume na fachada. O imóvel que, posteriormente, viria a ser a pousada Solar da Ponte.

Após um agradável fim de tarde, eles foram embora para São João Del Rei e retornaram no dia seguinte. Com mais tempo, puderam perceber como Tiradentes preservava ainda admiráveis ofícios como do prateiro e do carpinteiro, entre outros. “Não parecia haver ali pretensões de ser um polo turístico, apesar do potencial, e, além do mais, o transporte férreo havia sido interrompido por ser deficitário”, relembra Anna Maria. Foi nessa segunda visita que puderam encontrar o então proprietário do imóvel que havia sido embargado. “Ele nos contou que foi preciso interromper a obra devido à volumetria do projeto do prédio não acompanhar a estética da cidade e, por isso, ele gostaria de vendê-lo logo”.

Após um agradável fim de tarde, eles foram embora para São João Del Rei e retornaram no dia seguinte. Com mais tempo, puderam perceber como Tiradentes preservava ainda admiráveis ofícios como do prateiro e do carpinteiro, entre outros. “Não parecia haver ali pretensões de ser um polo turístico, apesar do potencial, e, além do mais, o transporte férreo havia sido interrompido por ser deficitário”, relembra Anna Maria. Foi nessa segunda visita que puderam encontrar o então proprietário do imóvel que havia sido embargado. “Ele nos contou que foi preciso interromper a obra devido à volumetria do projeto do prédio não acompanhar a estética da cidade e, por isso, ele gostaria de vendê-lo logo”.

Anna Maria recorda que ela e John voltaram a São Paulo quase sem trocar palavras, ambos pensando a respeito de Tiradentes, de suas possibilidades, contrastes e encantos. Em seguida, foram para a Inglaterra novamente, mas três semanas depois já haviam comprado o imóvel ainda inacabado. “Essa foi a decisão mais difícil da vida do John, pois ele era industrial habituado a viagens e grandes cidades, mas ao mesmo tempo estava cansado e, por isso, essa foi também sua melhor escolha”, afirma.

Os anos seguintes foram de muito trabalho e de novas amizades. “Fomos conhecendo as pessoas da cidade, admirando suas habilidades ainda mais e vendo como a mão de obra era muito boa ali”, diz. Em 1974 a pousada Solar da Ponte estava apta a receber seu primeiro hóspede e, aos poucos, a capacidade aumentou

John e a sustentabilidade

Ativo, entusiasmado e dono de características variadas e peculiares, John sempre esteve engajado na preservação da natureza. “Ele batalhou muito pela preservação da Serra de São José, ajudou a criar o Corpo de Bombeiros Voluntário, escreveu artigo para a Fundação Quatá sobre o tema e se relacionava muito bem com o homem da terra”, afirma Anna Maria. 

A colega Creuza Mendonça tem recordações semelhantes do tempo que trabalhou com John na Sociedade Amigos de Tiradentes (SAT), enquanto ele foi presidente da instituição. “Ele era um homem muito singelo, uma pessoa que pensava no patrimônio e na preservação de todas as formas, por isso sempre tomava atitudes em pró deste bem”, recorda.

A sustentabilidade não apenas ambiental, mas também social, era definitivamente outra questão que fez parte da vida de John. “Ele sempre desejou que o Solar da Ponte fosse um núcleo de crescimento pessoal para todos, algo além de uma empresa, e ele conseguiu isso, porque sempre ofereceu aos seus colaboradores uma visão diferente de mundo, onde houvesse uma chance de desenvolvimento, uma expansão de carreira”, afirma Ted Dirickson, enteado de John e atual gestor da pousada. Atualmente há 17 funcionários no Solar da Ponte, sendo que o mais antigo trabalha no local há 25 e o mais recente, há nove.

Não apenas os familiares e amigos mais próximos puderam aprender com John, mas também o corpo empresarial de toda a cidade. “Ele não era um exemplo apenas de conhecimento formal e técnico para formação de profissionais, mas um exemplo de bom patrão que incentivava seus funcionários a estudarem e a se desenvolverem”, declara Maria do Carmo, proprietária da Pousada Villa Alegra.

Após mais de quatro décadas na cidade, Anna Maria faz questão de destacar que, para ela e John, eles nunca foram a causa para o desenvolvimento local, mas sim mediadores. “Tiradentes não ‘aconteceu’ porque nós chegamos, mas sim porque já havia um capital humano de muito valor aqui, mas lhes faltavam oportunidades para desenvolver suas habilidades”. Após a vinda do casal, outras famílias conhecidas que vieram visitá-los também se interessaram em se instalar na cidade.

John Francis Parsons faleceu no dia 28 de junho de 2015 e foi sepultado no Cemitério das Mercês. A Capela de Nossa Senhora das Mercês, vizinha ao Solar da Ponte, era a que mais apreciava em Tiradentes.

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