Elisa e a Música

Foi em um dia chuvoso que a musicista Elisa Freixo recebeu a Asset em sua casa, em Tiradentes. A placa no portão já indicava “Casa da Elisa”. Logo após o jardim, ao entrar na sala, torna-se realmente compreensível o que significa uma vida dedicada à música. Pelo cômodo amplo há tipos diversos de pianos e cravos, além de um órgão, sua maior referência. Naquele espaço ela ministra cursos e palestras a respeito de sua maior paixão.

São décadas de trabalho incessante e estudo, muito estudo. “Comecei a estudar piano aos sete anos e aos 14 já tocava na igreja, logo pensei que aquilo seria algo que eu poderia fazer por toda a vida”, relembra a instrumentista nascida em São Paulo. A convivência familiar com profissionais ligados às artes despertou a sensibilidade, mas a vocação e o talento já eram intrínsecos. Por isso, após esgotar suas possibilidades de formação no Brasil, onde estudou, por exemplo, na Faculdade Santa Marcelina, na capital paulista, Elisa cruzou o Atlântico em busca de mais conhecimento.

Na Europa, ela estudou órgão e cravo na Escola Superior de Música e Artes Cênicas de Hamburgo, na Alemanha, na Schola Cantorum de Paris e no Conservatório Nacional de Rueil Malmaison, ambos na França. Em 1982 retornou ao Brasil, mas manteve seus laços no Velho Mundo onde, ao menos quatro vezes por ano, vai se apresentar e reencontrar amigos. “Minha ligação com a Europa permanece, estive em Portugal em novembro último, porém atualmente estou seduzida pela América Latina e suas histórias fortes de colonização que colocam nossa história em um outro lugar onde temos a oportunidade de aprender mais”, afirma a musicista que esteve no México, no Equador e no Peru ao longo de 2017, onde participou de festivais de música. “Aprecio muitíssimo a convivência com pessoas generosas que estão plenamente realizadas em suas profissões e buscam trocar o conhecimento, considero que o último ano foi uma ocasião onde pude participar disso, um ano rico em trocas,”, diz.

Para a morada, a artista divide-se entre Tiradentes e Mariana, cidades onde cuida dos órgãos históricos da Matriz de Santo Antônio e da Sé (Arp Schnitger). Além do trabalho cuidadoso, Elisa ainda encontra tempo para ministrar cursos para leigos. “São pessoas interessadas que me procuram e a cada edição proponho um tema diferente, como obras de Bach ou música produzida no Brasil no período colonial, por exemplo”, conta.

Porém, na primeira semana de fevereiro, haverá cursos para profissionais se aperfeiçoarem durante as férias, em Tiradentes e em São João Del Rei. O valor, ela afirma, será apenas para cobrir despesas, uma ação para tornar o aprendizado mais acessível. Na ocasião, Elisa terá a companhia do doutorando da USP, Delphim Rezende, que tem formação nos Estados Unidos e perfil litúrgico e sacro.

FOTO VICTOR GODOY

Por fim, fica o convite para ouvir o talento de Elisa Freixo em uma de suas apresentações pelas cidades mineiras, uma das mais conceituadas musicistas brasileiras em todo o mundo na atualidade e grande intérprete de música sacra barroca. “Eu sinto o órgão como uma parte de mim, há uma sensação de pertencimento”, conclui a musicista que ainda tem como instrumentos duas espinetas, um virginal e um clavicórdio.

Toda a programação pode ser encontrada na página Órgãos Históricos no Facebook: https://www.facebook.com/OrgaosHistoricosMG/. Além disso, até o dia 14 de janeiro, ela se apresenta diariamente, sempre às 18h, no Espaço Cultural Aimorés (Rua Direita, 159, Centro – Tiradentes/MG).

FOTO Eduardo Tropia

FOTO VICTOR GODOY

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